terça-feira, 10 de julho de 2007

Moët & Chandon

Olá querido blog!
Reencontrar as pessoas com quem partilhamos momentos inesquecíveis em viagens do Grand Tour é sempre algo gratificante. Na semana que passou tive essa oportunidade encontrando pequenos grupos, tanto da viagem deste ano como a do ano passado. Receber mensagens por e-mail e mesmo pelo correio, além de amáveis telefonemas para um bate papo, tem remetido meu pensamento para aquelas longínquas terras onde deixamos nossa admiração. E lembrando de nossa visita a Maison Moët & Chandon é que passo a falar um pouco dessa vivência.

A possibilidade de conhecer esse marco da região da Champagne, foi esperada por alguns de nós, como a culminância do roteiro. Eu, que não havia criado expectativas, fiquei extremamente surpreendida com tudo que vi e que aprendi!

A região chamada Champagne se estende por colinas suaves, doces e douradas a maior parte do ano. O que às vezes aparenta ser uma monotonia, na verdade é mesmo uma harmonia. E a bebida champanhe é, como dizem os entendidos, o mais elegante dos vinhos. Ele tem o poder de conduzir-nos a todos os estados de espírito.

A casa Moët & Chandon, que tem Dom Pierre Pérignon como patrono, é uma das maiores proprietárias de vinhedos de toda a Champagne. Esse monge beneditino do século XVII, Dom Pérignon, foi quem, com os diversos tipos de vinhos da região, fazendo misturas percebeu a formação de bolhas. A partir daí revolucionou o vinho tradicional chegando ao champanhe.

A bebida ali fabricada é composta por três espécies de vinhos oriundos das uvas: Chardonnay – que lhe dá o frescor e a acidez, Pinot noir que fornece o fruto e o corpo e, Pinot Meunier – que imprime o aroma e o equilíbrio. Tudo nos vinhedos é feito pela mão do homem. A colheita manual, em especial a da uva Pinot Noir deve ser feita com muito cuidado para que o sumo negro, da casca, não escureça o champanhe que é uma bebida clara.

O nosso tour pelas caves da Maison , foi precedido da apresentação de um vídeo, que eu classifico uma obra de arte: trata-se de uma mistura de arte propriamente dita com a arte de confeccionar champanhe. Na abertura surge um pincel fazendo nuances coloridos de tinta sobre uma tela de uma forma tocante parecendo um bailado. De repente essas mesmas cores eram vistas em imagens criadas pela natureza como as folhas dos vinhedos nos tons alaranjados, amarelos , grenás, ocres. Enfim, fiquei extasiada vendo aquele conjunto de imagens acompanhadas por bela peça musical, dando-me a impressão de estar levitando! E olha, querido blog, que até aí, eu não tinha provado nenhuma gotinha de champanhe ainda!

Seguimos, por escadarias, ao sub solo para visitar alguns metros das adegas que tem uma extensão de 28 km, distribuídos em diferentes níveis. A cave foi construída em terreno escavado em calcário. A temperatura nesse subsolo é ao redor dos 10 graus Centígrados. É tão imenso esse lugar que não entendo muito como que as pessoas que por ali circulam sabem por onde cruzar para chegar aos seus destinos, pois além de ser iluminado com tênue luz, tem corredores para muitas direções e não percebi nenhuma sinalização indicativa de entradas ou saídas! Fantástico!
Entre as inúmeras informações que recebemos, lembro de que o champanhe necessita de duas fermentações. Fica pelo menos 5 meses engarrafado em posição de 45 graus com o gargalo para baixo, para depositar as impurezas advindas da fermentação. Durante esses meses , todas as garrafas são “mexidas” levemente. E a estatística da empresa informa que, duas a duas,51 mil garrafas são mexidas por dia. Inacreditável. Tudo pela mão do homem.

Depois o conteúdo desse gargalo é congelado e extraído da garrafa. Em seguida nesse vazio é colocado o que chamam de licor de champanhe para completar e, logo após, é fechada definitivamente, para depois de 3 meses de descanso em posição horizontal, ser liberado para comercialização.

Impressionou-me o requinte da Maison Moët & Chandon. Tem um lustre, muito lindo, todo feito com taças. E toda a decoração é bela. A boutique possui cestinhos para ir-se depositando os produtos até chegar-se ao caixa. Peguei um desses apenas para tirar uma foto pois, para meu bolso, os preços são proibitivos.

Tem uma garrafa de champanhe –a maior dessa boutique- que custa 6 mil euros. Por aí, querido blog, imaginas que esse liquido dourado seja a preço de ouro!




E então querido blog, provei o legitimo champanhe, como eles mesmo dizem pois no resto do mundo são espumantes! O legitimo, não pára de fazer borbulhas até a última gota. E quanto menores as bolhas, mais qualidade tem a bebida! E ao observar-se o borbulhar dentro da taça, tive a impressão de estar vendo uma névoa se descolando. Muito lindo!
Ah, quase que esquecia: não se deve permitir o estouro ao abrir-se uma garrafa de champanhe. Nem acreditei nisso!
O champanhe deve ser aberto com todo o cuidado para que se ouça apenas o suspiro da bebida que é a respiração do champanhe!
Como estava ouvindo os especialistas falarem, tive que aceitar,né? Vamodenovo?

1 comentários:

Anônimo disse...

Querida Ivete Suzana

Uau! Que aula de conhecimentos sobre vinhos, neste teu querido blog.E sobre champanhe, então... Puxa,com este de seis mil euros´,da até para trocar de carro.O jeito é só ficar sonhando, enquanto as borbulhas vão subindo.
É muito gostoso e instrutivo este blog!
Beijos
Marlene